Foto : Gentil Barreira
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Notícias
SEMINÁRIO DE SAÚDE E AMBIENTE DA BIORREGIÃO DO ARARIPE

Dias 27 e 28 de março de 2007
Auditório da FMJ - Juazeiro do Norte-CE

Veja a programação. Clique aqui.


A transformação profunda pela qual a humanidade esta passando muda não somente as condições de vida de todo mundo, mas altera os quadros de vida. Assim, além da acentuação de desigualdades que sempre existiram, a evolução se traduz por grandes concentrações nas cidades com processos de favelizações e também mudanças gerais no clima. O progresso técnico que está remodelando a vida no planeta terra tem, assim, múltiplas conseqüências, e, em particular, na área da saúde.

A mudança de comportamento das populações, em questões como a alimentação e o estilo de vida, tem conseqüências sobre a saúde. A elevação das manifestações de violência e do numero de acidentes de transito tem também impactos sobre a vida. Esses exemplos mostram que a ação especifica dos setores de saúde, no atendimento as vitimas, precisa ser somado a iniciativas preventivas, que são da responsabilidade de outros setores do governo.

A Organização Mundial de Saúde – a OMS e os epidemiologistas de todo mundo estão chamando atenção, em particular, para a crescente importância das doenças crônicas não transmissíveis (D.C.N.T).

 No Brasil, as doenças do aparelho respiratório, as doenças do aparelho circulatório, as neoplasias (o câncer) respondiam em 2004 por 60% do total de mortes por causas definidas. Somente as doenças cardiovasculares foram responsáveis por, no mínimo, um terço das causas de morte em todas as regiões do país. Por sua vez as causas externas – acidentes de transito, suicídio e homicídios, entre outros, representavam em 2004 quase 16% da mortalidade total, atingindo principalmente o sexo masculino (85%) e as pessoas entre 20 e 40 anos (50%).

E, se levar em consideração, não somente os falecimentos, mas as enfermidades, as observações confirmam a evolução em curso.

Essa mesma observação mostra que as maiores vitimas deste tipo de doenças são os grupos mais pobres da população, em relação com a forte presença nesses grupos de fatores de risco, tais como a hipertensão, a obesidade, o sedentarismo, o fumo, o álcool, o estresse.

 A escassez de recursos, o baixo nível educacional, a insuficiência dos serviços de atenção a saúde, o relativo descaso com ações e políticas intersetoriais fazem que as regiões subdesenvolvidas enfrentem condições mais desfavoráveis para lidar com esses problemas.

     A referência ao meio ambiente, assim, é uma referência aos determinantes territoriais e sociais da saúde, digamos, as condições de vida da população, essas mesmas ligadas aos comportamentos herdados ou adquiridos das populações. O meio ambiente é tudo isso. A tomada de consciência dessa relação entre saúde e meio ambiente deve ser promovida em todas as regiões. A Presença da Fundação Araripe na biorregião do Araripe nos leva, naturalmente, a refletir sobre as condições de vida no Cariri.

A busca de soluções para a multiplicidade de problemas que a vida cotidiana leva a encontrar, conduz, naturalmente, a construção de alternativas, cujos resultados só serão alcançados a médio ou longo prazo.

A batalha para a criação da APA Chapada do Araripe tinha esse sentido, quando ela foi travada nos anos 90.

A Fundação Araripe, como centro de estudos, dedicou, atenção as relações interestaduais no campo da saúde: Debates com os secretários de saúde dos estados vizinhos para analisar as relações interestaduais a nível da população e das prefeituras.

A idéia de criação do Instituto de Saúde Coletiva do Araripe nasceu assim. A complexidade do problema levou a Fundação a apresentar projetos ao ministério da saúde, na gestão do ministro José Serra, e a buscar de apoio na FIOCRUZ, para realizar pesquisas, já que estava claro que a solução dos problemas de saúde na região não era simples, por esses problemas ser ligados as condições de trabalho, de moradia, de clima, de recursos naturais - água em particular, mas também de cultura das populações.

Nasceu assim, uma proposta do ministério encarregando a Fundação de uma missão de observação dos ecossistemas em vigor e de assistência às unidades especializadas da região. O seminário dos dias 27 e 28 tem por objetivo uma reflexão em comum para avançar nos campos do atendimento e das precauções para evitar ou limitar os riscos para a saúde.

 

 

       
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